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O registo · 21 de setembro de 2026

Na Jordânia, dois trabalhadores por conta de outrem em cada cinco recebem menos de dois terços da mediana nacional.Em Portugal, um em cada vinte e cinco.

Quinze economias, uma proporção cada uma: os trabalhadores por conta de outrem pagos abaixo de dois terços do salário horário mediano do seu próprio país, com a mesma proporção para mulheres e para homens. Nem pobreza, nem salário mínimo, e um único ano por país. Tudo o que se segue é verificável no mercado em direto.

40,8%dos trabalhadores por conta de outrem da Jordânia recebiam menos de dois terços da mediana nacional em 2024, a maior proporção de 103 economias
4,0%dos trabalhadores por conta de outrem de Portugal estavam nessa situação em 2025, a mais baixa das 103; a economia mediana está nos 21,8 %
87das 103 economias têm uma proporção de mulheres com baixos salários superior à dos homens. A diferença mediana é de 5,0 pontos

Dois em cada cinco, e um em cada vinte e cinco

No seu último ano disponível, 40,8 % dos trabalhadores por conta de outrem da Jordânia recebiam menos de dois terços do salário horário mediano da Jordânia, e 4,0 % dos de Portugal. São a proporção mais alta e a mais baixa das 103 economias que reportam os três valores desde 2019: primeira e centésima terceira. A tabela coloca-as entre as restantes economias em que este desk publica, mais o Uganda.

Entre os dois extremos a dispersão é larga e o meio está povoado. A economia mediana está nos 21,8 %, e em 34 das 103 pelo menos um quarto dos trabalhadores por conta de outrem tem baixo salário; em 9 a proporção fica abaixo de um em cada dez e em apenas 2, Portugal e Nova Zelândia, abaixo de um em cada vinte. Entre as quinze da tabela, a Indonésia está nos 28,0 %, a Türkiye nos 23,0 % e a Índia nos 22,5 %, enquanto a França está nos 10,5 % e a Espanha nos 9,5 %.

A ordenação não segue o mapa dos ricos e dos pobres. A Jordânia, a proporção mais alta das 103, é uma economia de rendimento médio, e fica acima do Uganda, com 35,3 %, cujo rendimento por habitante é menos de um quinto do jordano. Nove economias reportam um quarto dos seus trabalhadores com baixo salário estando na metade mais rica do conjunto.

Proveniência: Fonte
Taxa de baixos salários: trabalhadores por conta de outrem pagos abaixo de dois terços do salário horário mediano do seu próprio país, em proporção do total de trabalhadores por conta de outrem, último ano disponível, para quinze economias, com a mesma proporção para mulheres e para homens. Ordenadas pela proporção total, da mais alta para a mais baixa. A posição é calculada sobre as 103 economias que reportam desde 2019.
EconomiaAnoBaixos salários, % dos trabalhadoresMulheresHomensPosição em 103
Jordânia202440,8%42,2%40,5%1
Uganda202135,3%51,1%28,4%10
Indonésia202328,0%40,5%21,9%31
Türkiye202523,0%27,4%20,8%42
Índia202522,5%37,9%16,9%45
Filipinas202417,3%22,1%14,2%67
Reino Unido202516,3%18,8%13,9%73
Coreia do Sul202515,8%23,1%11,0%76
Alemanha202415,1%20,0%12,8%78
Vietname202411,5%14,3%9,3%90
Japão202510,7%17,4%6,6%93
França202410,5%11,8%9,3%94
Tailândia20259,6%9,4%9,9%97
Espanha20249,5%12,6%7,3%98
Portugal20254,0%4,2%3,6%103

Uma linha traçada em casa que ainda assim se move com o rendimento

Como o limiar é nacional, esta medida não tem qualquer razão aritmética para descer à medida que os países enriquecem. Um país onde cada trabalhador ganhe uma fortuna e outro onde cada trabalhador ganhe muito pouco teriam ambos uma taxa perto de zero se a remuneração estivesse igualmente repartida. Ainda assim, nas 103 economias a proporção desce com o rendimento: correlaciona-se em menos 0,72 com o logaritmo do PIB por habitante.

Repartidas por terços de rendimento, as medianas são de 32,0 % no terço mais pobre, 20,4 % no intermédio e 15,8 % no mais rico. Os cortes ficam à volta de 11 700 e 37 800 dólares por habitante. O que se move não é o nível dos salários, que esta medida nunca vê, mas a forma da metade baixa da distribuição de cada país: quanto mais pobre a economia, mais longe do seu próprio meio ficam os seus baixos salários.

O par que o título nomeia encaixa nesse padrão sem ficar explicado por ele. O rendimento por habitante de Portugal é 4,2 vezes o da Jordânia, uma diferença grande mas não de dez vezes, quando as taxas de baixos salários diferem num fator de dez. O rendimento ordena estas economias; não as decide uma a uma.

Proveniência: FonteO que a proporção conta
  1. A LINHA É TRAÇADA EM CASA. Um trabalhador por conta de outrem tem baixo salário quando a sua remuneração horária fica abaixo de dois terços do salário horário mediano do seu próprio país. O limiar é recalculado para cada país e cada ano: não é um montante numa moeda, não é um salário mínimo legal e não permite comparar níveis de remuneração entre países.
  2. O DENOMINADOR SÃO OS TRABALHADORES POR CONTA DE OUTREM. Só são contadas as pessoas que trabalham para um empregador. Os trabalhadores por conta própria, os empregadores e os trabalhadores familiares não remunerados ficam fora dos dois termos da fração, o que conta sobretudo onde o trabalho por conta própria domina: aí esta proporção descreve uma minoria das pessoas em emprego.
  3. BAIXO SALÁRIO NÃO É POBREZA. É uma propriedade da remuneração horária de uma pessoa, não do rendimento de um agregado familiar. Um trabalhador mal pago pode viver num agregado confortável, e um agregado pobre pode não ter nenhum trabalhador por conta de outrem; as duas medidas assentam em unidades diferentes e podem apontar em sentidos opostos.

Os 40,8 % da Jordânia não dizem, portanto, que dois em cada cinco jordanos sejam pobres, nem que um trabalhador jordano ganhe menos do que um português: dizem que 40,8 em cada cem trabalhadores por conta de outrem na Jordânia recebem menos de dois terços do que ganha numa hora o trabalhador jordano mediano. Os 4,0 % de Portugal são a mesma contagem, medida face ao meio português.

Uma proporção, um limiar, e uma leitura que perde onde a linha é traçada afirma o que a fonte não diz.

O que o rendimento não toca

Em 87 das 103 economias a proporção de mulheres com baixos salários excede a dos homens, e a diferença mediana é de 5,0 pontos. Os homens são o sexo mais exposto em 16, e entre as quinze da tabela só a Tailândia pertence a esse grupo, por meio ponto.

É aí que o rendimento deixa de agir. A correlação dessa diferença com o logaritmo do rendimento é de menos 0,07, ou seja, nenhuma, e a sua mediana percorre 6,5 pontos, 4,9 pontos e 4,5 pontos nos três terços. As mulheres estão acima dos homens em 24 das 34 economias mais pobres e em 33 das 35 mais ricas: a diferença não é menor no topo, é mais uniforme.

Os extremos dizem o mesmo dos dois lados. No Uganda, 51,1 % das trabalhadoras têm baixo salário contra 28,4 % dos trabalhadores, a maior diferença das 103; o Afeganistão é a maior em sentido contrário, com 11,7 % das mulheres contra 26,2 % dos homens, numa economia onde muito poucas mulheres trabalham por conta de outrem. Duas economias ricas da tabela apresentam diferenças tão largas como algumas pobres: a Coreia do Sul, 23,1 % contra 11,0 %, e o Japão, 17,4 % contra 6,6 %.

O que a proporção não diz

Não diz quanto ganha cada um. O limiar são dois terços de uma mediana nacional: um trabalhador mal pago num país pode levar para casa mais por hora do que um trabalhador bem pago noutro. Nada aqui sustenta uma frase que compare níveis de remuneração entre duas economias.

Não diz quem é pobre. O baixo salário mede-se sobre a remuneração horária de uma pessoa; a pobreza mede-se sobre o rendimento de um agregado depois de transferências e impostos, noutra unidade e noutro período. As duas podem divergir nos dois sentidos.

E não nomeia causa, tendência nem remédio. O salário mínimo, a contratação coletiva, o horário, os setores, a dimensão da economia informal e a própria definição de trabalhador por conta de outrem estão por trás destes números, e nenhum é medido aqui. Cada economia aparece uma vez, no seu último ano: nada aqui diz que uma proporção subiu ou desceu.

O que os dados estabelecem

  • No seu último ano disponível, 40,8 % dos trabalhadores por conta de outrem da Jordânia recebiam menos de dois terços do salário horário mediano da Jordânia (2024), a maior proporção de 103 economias, e 4,0 % dos de Portugal (2025), a mais baixa.
  • Nas 103 a proporção mediana é de 21,8 %; 34 economias estão nos 25 % ou acima e 9 abaixo dos 10 %.
  • A proporção correlaciona-se em menos 0,72 com o logaritmo do rendimento por habitante, com medianas de 32,0 %, 20,4 % e 15,8 % nos terços pobre, intermédio e rico.
  • A proporção de mulheres com baixos salários excede a dos homens em 87 das 103, a diferença mediana é de 5,0 pontos e correlaciona-se em menos 0,07 com o rendimento: medianas de 6,5, 4,9 e 4,5 pontos nos três terços, com as mulheres acima dos homens em 33 das 35 economias mais ricas.

O que não estabelecem

  • Que um trabalhador mal pago seja pobre. O baixo salário é a remuneração horária de uma pessoa face a uma mediana nacional; a pobreza é o rendimento de um agregado depois de transferências e impostos.
  • Que o limiar seja um salário mínimo. São dois terços do salário horário mediano, recalculados por país e ano, e aqui não se mede qualquer mínimo legal.
  • Qualquer comparação de níveis de remuneração entre países. Cada proporção é medida face ao meio do seu próprio país: um trabalhador mal pago numa economia pode ganhar mais por hora do que um bem pago noutra.
  • Que alguma proporção tenha subido ou descido. Um ano por economia, e anos e instrumentos diferentes entre elas: nada aqui é uma tendência.
  • Qualquer causa ou remédio, incluindo salário mínimo, contratação coletiva, horário, setor ou dimensão da economia informal. Nenhum é medido aqui, e nada se diz da China, que não reporta qualquer ano nesta janela, nem da Finlândia, da Islândia, da Polónia e da Suécia, cujos zeros ficam excluídos.

Método

  1. Uma medida. Fluxo ILOSTAT DF_EAR_XTLP_SEX_RT, taxa de baixos salários por sexo, lido através da API SDMX da OIT a 20 de setembro de 2026. Um trabalhador por conta de outrem tem baixo salário quando a sua remuneração horária fica abaixo de dois terços do salário horário mediano do mesmo país e ano. Para cada economia usa-se o último ano de 2019 a 2025, e os valores total, feminino e masculino vêm do MESMO ano E da mesma fonte reportada: uma diferença nunca são dois inquéritos colocados lado a lado.
  2. OS AGREGADOS NÃO SÃO PAÍSES, E QUATRO ZEROS NÃO SÃO PROPORÇÕES. Regiões e grupos de rendimento foram retirados mantendo apenas os códigos da lista de países do Banco Mundial. A Finlândia, a Islândia, a Polónia e a Suécia reportam um 0,0 % exato para cada sexo, o que nenhuma distribuição salarial produz; ficam excluídas e nomeadas aqui em vez de surgirem como as mais baixas do mundo. Restam 103 economias: 36 cujo último ano é 2025, 37 com 2024, 9 com 2023, 6 com 2022, 4 com 2021, 3 com 2020 e 8 com 2019. Todas as posições e contagens são sobre essas 103. A China não reporta qualquer ano nesta janela, razão pela qual a tabela contém catorze dos dezasseis mercados deste desk, mais o Uganda.
  3. OS INSTRUMENTOS DIFEREM. 64 dos 103 valores vêm de um inquérito ao emprego, 13 de um inquérito às receitas e despesas das famílias, 12 de um inquérito a estabelecimentos ou aos salários, 9 de outro inquérito às famílias, e 5 de registos administrativos, de um recenseamento económico, de um recenseamento da população ou de outra fonte. O texto compara-os tal como a OIT os publica, e di-lo aqui.
  4. A mediana é o 52.º dos 103 valores, 21,802 %, apresentado como 21,8 %. 34 economias estão nos 25 % ou acima, 9 abaixo dos 10 % e 2 abaixo dos 5 %. O valor da Jordânia é 40,838 %, o de Portugal 3,954 %, e a razão entre os dois é 10,3.
  5. A correlação é um coeficiente de Pearson calculado sobre as 103 entre a proporção e o logaritmo natural do PIB por habitante em paridade de poder de compra (Banco Mundial NY.GDP.PCAP.PP.CD, último ano). Os terços de rendimento cortam à volta de 11 700 e 37 800 dólares por habitante, com 34, 34 e 35 economias; o valor de cada terço é a mediana dos seus membros. Descrevem como as proporções se situam entre economias, não como uma economia se moveu. O rendimento por habitante da Jordânia é de 12 632 dólares e o de Portugal de 53 146.
  6. O arredondamento é feito uma só vez, na apresentação, a partir de valores que a fonte serve com três casas decimais: Uganda 35,304 %, Indonésia 28,005 %, Türkiye 23,009 %, Índia 22,518 %, Coreia do Sul 15,828 %, Japão 10,674 %, Tailândia 9,645 %. Os valores femininos e masculinos são os da fonte para o mesmo ano; a diferença citada no texto é a sua subtração, calculada com toda a precisão e arredondada uma só vez.

A BabZituna avalia cada vaga face ao seu perfil em seis dimensões reais, e publica o que consegue e o que não consegue medir. Ver o mercado em direto.

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