Skip to content
EntrarComece grátis
Fotografia: Jacques Dillies / Unsplash · França

Entre economias · 24

Trabalhadores com contrato temporário correm mais risco de pobreza em França do que em Espanha

Com contrato permanente, a ordem inverte-se: 8,1% em Espanha, 4,9% em França.

Os trabalhadores franceses com contrato permanente vivem abaixo do limiar de pobreza do seu país com menos frequência do que os espanhóis, e os que têm contrato temporário com mais. O inquérito do Eurostat aos rendimentos dos agregados familiares conta, para cada tipo de contrato, quantos trabalhadores vivem abaixo do limiar de pobreza do seu próprio país. Eis a distância entre os dois contratos em cada país, o que o limiar mede e o que não mede, onde se situa a diferença francesa, e o que muda se está a ponderar uma oferta ou a redigir uma.

18,2%dos trabalhadores com contrato temporário em França viviam abaixo do limiar de pobreza nacional, 2025
14,7%o mesmo em Espanha; com contrato permanente, a ordem inverte-se
12,9%o mesmo na União Europeia no seu conjunto

Com contrato temporário, a França em quarto lugar na UE

Bulgária36,1%
Hungria26,2%
França18,2%
Espanha14,7%
Itália14,1%
Alemanha13,9%
UE12,9%
Países Baixos9,8%
Polónia5,6%
Trabalhadores por conta de outrem com contrato temporário que vivem num agregado familiar abaixo de 60% do rendimento mediano do seu país, inquérito de 2025 (rendimentos de 2024), em percentagem. A Bulgária tem o valor mais alto dos 27 Estados-Membros; a Polónia, o valor sem anotação mais baixo. Eurostat, ilc_iw05, lido a 11 de outubro de 2026.

Temporários em França, permanentes em Espanha

Em 2025, 18,2% dos trabalhadores com contrato temporário em França viviam num agregado familiar abaixo do limiar de pobreza francês, contra 14,7% em Espanha. A taxa francesa é a quarta mais alta dos 27 Estados-Membros, depois da Bulgária (36,1%), da Hungria (26,2%) e de Chipre (25,3%); a espanhola é a oitava.

Entre os trabalhadores com contrato permanente, a ordem inverte-se: 4,9% em França, 8,1% em Espanha. Assim, a distância entre os dois contratos é muito maior em França, onde a taxa dos temporários é quase quatro vezes a dos permanentes, do que em Espanha, onde é menos do dobro.

A mesma inversão verificou-se um ano antes, no inquérito de 2024: 15,3% contra 13,2% entre os trabalhadores temporários, 4,6% contra 7,6% entre os permanentes. Na União Europeia no seu conjunto, as taxas são de 12,9% e 5,2%, na Alemanha de 13,9% e 4,5%, na Itália de 14,1% e 6,8%.

Proveniência: Fonte
Taxa de risco de pobreza no trabalho por tipo de contrato, inquérito de 2025 (rendimentos de 2024): trabalhadores por conta de outrem com 18 ou mais anos que vivem num agregado familiar abaixo de 60% do rendimento mediano do seu país, em percentagem. Primeiro a União Europeia, depois os 27 Estados-Membros, a começar pela taxa mais alta nos contratos temporários. Os valores do Luxemburgo e da Eslováquia têm uma quebra de série; os da Lituânia são provisórios. Eurostat, ilc_iw05.
Estado-MembroContrato temporárioContrato permanente
União Europeia12,9%5,2%
Bulgária36,1%10,2%
Hungria26,2%6,6%
Chipre25,3%4,0%
França18,2%4,9%
Suécia18,0%5,3%
Luxemburgo16,6%6,2%
Malta15,1%7,9%
Espanha14,7%8,1%
Itália14,1%6,8%
Alemanha13,9%4,5%
Letónia12,6%6,4%
Dinamarca11,8%3,0%
Bélgica11,2%2,0%
Croácia11,2%5,3%
Portugal10,7%6,1%
Áustria10,1%6,3%
Países Baixos9,8%2,7%
Estónia9,6%6,6%
Grécia9,4%4,5%
Chéquia7,7%3,2%
Eslováquia7,5%3,2%
Roménia6,9%4,1%
Eslovénia6,6%2,5%
Irlanda6,4%4,1%
Finlândia5,8%1,1%
Polónia5,6%3,9%
Lituânia5,2%5,6%

O que o limiar de pobreza mede

O limiar é relativo e nacional: 60% do rendimento mediano dos agregados familiares de cada país, depois de impostos e transferências sociais. Um trabalhador francês é medido face à mediana francesa e um espanhol face à mediana espanhola, pelo que as duas taxas dizem onde os trabalhadores se situam no seu próprio país, não quem está em melhor situação.

É o rendimento do agregado familiar, não o salário do trabalhador. Os rendimentos de todos os membros são somados e ajustados à dimensão do agregado, pelo que um salário, sozinho, nunca decide se alguém fica abaixo do limiar.

Os trabalhadores são as pessoas com 18 ou mais anos que estiveram empregadas durante mais de metade do ano, por tipo de contrato. O inquérito de 2025 conta os rendimentos de 2024; os trabalhadores por conta própria e os desempregados são contados noutro lado, e, nas palavras do próprio Eurostat, a taxa mede o rendimento baixo em relação ao país, não a pobreza.

Proveniência: FonteO que isto conta
  1. O LIMIAR: 60% do rendimento mediano dos agregados familiares do próprio país do trabalhador, depois de impostos e transferências sociais e ajustado à dimensão do agregado. O limiar francês e o espanhol são montantes diferentes, pelo que as taxas comparam posições dentro de cada país, não níveis de vida entre eles. O Eurostat diz que a taxa não mede a pobreza em si, mas o rendimento baixo em comparação com o resto do país.
  2. O AGREGADO: o rendimento é o de todo o agregado familiar, não o salário do trabalhador. Um salário baixo num agregado com outras pessoas com rendimentos pode ficar acima do limiar, e um salário razoável num agregado numeroso pode ficar abaixo.
  3. OS TRABALHADORES: pessoas com 18 ou mais anos que estiveram empregadas durante mais de metade do ano, consoante o seu emprego seja permanente ou temporário. Os trabalhadores por conta própria e os desempregados não estão em nenhum dos dois grupos. O inquérito de 2025 conta os rendimentos de 2024.

Assim, os 18,2% da França não dizem que os trabalhadores temporários franceses são mais pobres do que os espanhóis: dizem que uma maior parte deles, em relação à mediana francesa, vivia num agregado familiar abaixo do limiar francês, enquanto uma maior parte dos trabalhadores com contrato permanente em Espanha vivia abaixo do limiar espanhol.

Um limiar, um agregado familiar, um grupo de trabalhadores, e uma leitura que esqueça qualquer um deles diz o que a fonte não diz.

As mulheres explicam a diferença francesa

Entre as mulheres com contrato temporário, 18,2% viviam abaixo do limiar em França em 2025, contra 11,0% em Espanha. Entre os homens, a ordem inverte-se: 18,2% em França, 19,6% em Espanha.

Assim, a diferença global entre os trabalhadores temporários dos dois países vem das mulheres. Em França, os trabalhadores temporários ficam nos mesmos 18,2%, sejam homens ou mulheres; em Espanha, a taxa dos homens aproxima-se do dobro da das mulheres.

Entre os trabalhadores com contrato permanente, as taxas espanholas são mais altas para ambos os sexos: 8,4% para os homens e 7,7% para as mulheres, contra 4,1% e 5,8% em França. O quadro não diz porque é que qualquer um destes padrões se verifica, e esta edição não tenta adivinhar.

Proveniência: Fonte
França e Espanha: taxa de risco de pobreza no trabalho por tipo de contrato, em percentagem, inquéritos de 2025 e 2024. Eurostat, ilc_iw05.
TrabalhadoresFrançaEspanha
Contrato temporário, 202518,2%14,7%
Contrato permanente, 20254,9%8,1%
Mulheres, temporário, 202518,2%11,0%
Homens, temporário, 202518,2%19,6%
Contrato temporário, 202415,3%13,2%
Contrato permanente, 20244,6%7,6%

O que estes números não dizem

Não dizem que um contrato temporário empurra alguém para a pobreza. A taxa conta quem vive num agregado familiar abaixo do limiar; não mede nem a causa nem a remuneração do contrato, e nada aqui pondera a legislação laboral, as reformas ou os setores.

Não dizem que os trabalhadores de um ou de outro país são mais pobres. Cada limiar é uma fração da mediana do seu próprio país, pelo que uma taxa francesa e uma espanhola são duas posições, não dois níveis de vida.

Descrevem os rendimentos de 2024, recolhidos em 2025, não os deste ano. Abrangem os trabalhadores por conta de outrem, não os trabalhadores por conta própria nem os desempregados, e nada disto é uma previsão.

O que isto significa para si

Se está a ponderar uma oferta temporária em França

Em França, 18,2% dos trabalhadores com contrato temporário viviam num agregado familiar abaixo do limiar de pobreza nacional em 2025, quase quatro vezes os 4,9% dos trabalhadores com contrato permanente. O limiar conta o rendimento do agregado ao longo de todo o ano, não o salário mensal da oferta. Compare, por isso, as ofertas pelo que somam ao longo de um ano: quanto tempo dura o contrato, quantas horas garante e se pode passar a permanente. São esses os termos que a estatística separa.

Se recruta em Espanha

Em Espanha, 8,1% dos trabalhadores com contrato permanente viviam num agregado familiar abaixo do limiar de pobreza nacional em 2025, mais do que em França (4,9%) ou na UE no seu conjunto (5,2%). Um contrato permanente, por si só, não os mantinha acima dele. Se quer que uma oferta se destaque, ponha nela o que o tipo de contrato não consegue mostrar: as horas, a remuneração ao longo de um ano completo e a forma como evolui.

Como foi contado

Método

  1. Um quadro. Eurostat, ilc_iw05 (taxa de risco de pobreza no trabalho por tipo de contrato), das estatísticas da UE sobre o rendimento e as condições de vida (EU-SILC), atualizado a 5 de outubro de 2026 e lido através da API de difusão do Eurostat a 11 de outubro de 2026 às 18:48 (+01:00).
  2. A DEFINIÇÃO. Segundo os metadados de referência do indicador: a proporção de pessoas empregadas cujo rendimento disponível por adulto equivalente fica abaixo do limiar de risco de pobreza, fixado em 60% da mediana nacional do rendimento disponível por adulto equivalente após transferências sociais; uma pessoa conta como empregada se esteve empregada durante mais de metade do ano de referência; pessoas empregadas com 18 ou mais anos. O ilc_iw05 divide os trabalhadores consoante tenham um emprego permanente ou temporário.
  3. OS ANOS. O período de referência dos rendimentos do EU-SILC é o ano civil anterior: o inquérito de 2025 conta os rendimentos de 2024, o de 2024 os de 2023. Os dois anos de inquérito são apresentados para França e Espanha; nenhum ano anterior é comparado.
  4. AS ANOTAÇÕES. Nenhum dos números de França, de Espanha ou da União Europeia tem qualquer anotação. Os valores de 2025 do Luxemburgo e da Eslováquia têm uma quebra de série e só são usados no quadro; os da Lituânia são provisórios e só aparecem no quadro, nunca numa afirmação. Não é indicado nenhum montante em euros para nenhum limiar.
  5. O CÁLCULO DA REDAÇÃO. O «quase quatro vezes» divide a taxa dos temporários em França pela dos permanentes (18,2 por 4,9, 3,7); o «menos do dobro» faz o mesmo para Espanha (14,7 por 8,1, 1,8); o «aproxima-se do dobro» divide a taxa espanhola dos homens temporários pela das mulheres temporárias (19,6 por 11,0, 1,8). As posições contam os 27 Estados-Membros a partir da taxa mais alta nos contratos temporários.
O que os dados estabelecem, e o que não

O que os dados estabelecem

  • Em 2025, 18,2% dos trabalhadores temporários em França e 14,7% em Espanha viviam num agregado familiar abaixo do limiar de pobreza do seu país; entre os permanentes, eram 4,9% e 8,1%.
  • A mesma inversão verificou-se no inquérito de 2024: 15,3% contra 13,2%, e 4,6% contra 7,6%.
  • A taxa francesa dos contratos temporários é a quarta mais alta dos 27 Estados-Membros; a União Europeia fica nos 12,9% e 5,2%.
  • Entre os trabalhadores temporários, a diferença vem das mulheres (18,2% contra 11,0%); entre os homens, inverte-se (18,2% contra 19,6%).

O que não estabelecem

  • Que um contrato temporário cause pobreza, ou qualquer outra causa: a legislação laboral, as reformas e os setores não são medidos.
  • Que os trabalhadores franceses ou espanhóis sejam mais pobres ou estejam em melhor situação: cada taxa é medida face à mediana do seu próprio país.
  • Seja o que for sobre salários ou remunerações: o rendimento é o de todo o agregado familiar, depois de impostos e transferências.
  • Seja o que for sobre os trabalhadores por conta própria ou os desempregados.
  • Quais são as taxas hoje, qualquer ano anterior a 2024, qualquer montante em euros para os limiares e qualquer previsão.
Fontes primárias

A BabZituna avalia cada vaga face ao seu perfil em seis dimensões reais, e publica o que consegue e o que não consegue medir. Ver o mercado em direto.

Os mercados deste artigo, ao vivo

Edições anteriores