Temporários em França, permanentes em Espanha
Em 2025, 18,2% dos trabalhadores com contrato temporário em França viviam num agregado familiar abaixo do limiar de pobreza francês, contra 14,7% em Espanha. A taxa francesa é a quarta mais alta dos 27 Estados-Membros, depois da Bulgária (36,1%), da Hungria (26,2%) e de Chipre (25,3%); a espanhola é a oitava.
Entre os trabalhadores com contrato permanente, a ordem inverte-se: 4,9% em França, 8,1% em Espanha. Assim, a distância entre os dois contratos é muito maior em França, onde a taxa dos temporários é quase quatro vezes a dos permanentes, do que em Espanha, onde é menos do dobro.
A mesma inversão verificou-se um ano antes, no inquérito de 2024: 15,3% contra 13,2% entre os trabalhadores temporários, 4,6% contra 7,6% entre os permanentes. Na União Europeia no seu conjunto, as taxas são de 12,9% e 5,2%, na Alemanha de 13,9% e 4,5%, na Itália de 14,1% e 6,8%.
| Estado-Membro | Contrato temporário | Contrato permanente |
|---|---|---|
| União Europeia | 12,9% | 5,2% |
| Bulgária | 36,1% | 10,2% |
| Hungria | 26,2% | 6,6% |
| Chipre | 25,3% | 4,0% |
| França | 18,2% | 4,9% |
| Suécia | 18,0% | 5,3% |
| Luxemburgo | 16,6% | 6,2% |
| Malta | 15,1% | 7,9% |
| Espanha | 14,7% | 8,1% |
| Itália | 14,1% | 6,8% |
| Alemanha | 13,9% | 4,5% |
| Letónia | 12,6% | 6,4% |
| Dinamarca | 11,8% | 3,0% |
| Bélgica | 11,2% | 2,0% |
| Croácia | 11,2% | 5,3% |
| Portugal | 10,7% | 6,1% |
| Áustria | 10,1% | 6,3% |
| Países Baixos | 9,8% | 2,7% |
| Estónia | 9,6% | 6,6% |
| Grécia | 9,4% | 4,5% |
| Chéquia | 7,7% | 3,2% |
| Eslováquia | 7,5% | 3,2% |
| Roménia | 6,9% | 4,1% |
| Eslovénia | 6,6% | 2,5% |
| Irlanda | 6,4% | 4,1% |
| Finlândia | 5,8% | 1,1% |
| Polónia | 5,6% | 3,9% |
| Lituânia | 5,2% | 5,6% |
O que o limiar de pobreza mede
O limiar é relativo e nacional: 60% do rendimento mediano dos agregados familiares de cada país, depois de impostos e transferências sociais. Um trabalhador francês é medido face à mediana francesa e um espanhol face à mediana espanhola, pelo que as duas taxas dizem onde os trabalhadores se situam no seu próprio país, não quem está em melhor situação.
É o rendimento do agregado familiar, não o salário do trabalhador. Os rendimentos de todos os membros são somados e ajustados à dimensão do agregado, pelo que um salário, sozinho, nunca decide se alguém fica abaixo do limiar.
Os trabalhadores são as pessoas com 18 ou mais anos que estiveram empregadas durante mais de metade do ano, por tipo de contrato. O inquérito de 2025 conta os rendimentos de 2024; os trabalhadores por conta própria e os desempregados são contados noutro lado, e, nas palavras do próprio Eurostat, a taxa mede o rendimento baixo em relação ao país, não a pobreza.
- O LIMIAR: 60% do rendimento mediano dos agregados familiares do próprio país do trabalhador, depois de impostos e transferências sociais e ajustado à dimensão do agregado. O limiar francês e o espanhol são montantes diferentes, pelo que as taxas comparam posições dentro de cada país, não níveis de vida entre eles. O Eurostat diz que a taxa não mede a pobreza em si, mas o rendimento baixo em comparação com o resto do país.
- O AGREGADO: o rendimento é o de todo o agregado familiar, não o salário do trabalhador. Um salário baixo num agregado com outras pessoas com rendimentos pode ficar acima do limiar, e um salário razoável num agregado numeroso pode ficar abaixo.
- OS TRABALHADORES: pessoas com 18 ou mais anos que estiveram empregadas durante mais de metade do ano, consoante o seu emprego seja permanente ou temporário. Os trabalhadores por conta própria e os desempregados não estão em nenhum dos dois grupos. O inquérito de 2025 conta os rendimentos de 2024.
Assim, os 18,2% da França não dizem que os trabalhadores temporários franceses são mais pobres do que os espanhóis: dizem que uma maior parte deles, em relação à mediana francesa, vivia num agregado familiar abaixo do limiar francês, enquanto uma maior parte dos trabalhadores com contrato permanente em Espanha vivia abaixo do limiar espanhol.
Um limiar, um agregado familiar, um grupo de trabalhadores, e uma leitura que esqueça qualquer um deles diz o que a fonte não diz.
As mulheres explicam a diferença francesa
Entre as mulheres com contrato temporário, 18,2% viviam abaixo do limiar em França em 2025, contra 11,0% em Espanha. Entre os homens, a ordem inverte-se: 18,2% em França, 19,6% em Espanha.
Assim, a diferença global entre os trabalhadores temporários dos dois países vem das mulheres. Em França, os trabalhadores temporários ficam nos mesmos 18,2%, sejam homens ou mulheres; em Espanha, a taxa dos homens aproxima-se do dobro da das mulheres.
Entre os trabalhadores com contrato permanente, as taxas espanholas são mais altas para ambos os sexos: 8,4% para os homens e 7,7% para as mulheres, contra 4,1% e 5,8% em França. O quadro não diz porque é que qualquer um destes padrões se verifica, e esta edição não tenta adivinhar.
| Trabalhadores | França | Espanha |
|---|---|---|
| Contrato temporário, 2025 | 18,2% | 14,7% |
| Contrato permanente, 2025 | 4,9% | 8,1% |
| Mulheres, temporário, 2025 | 18,2% | 11,0% |
| Homens, temporário, 2025 | 18,2% | 19,6% |
| Contrato temporário, 2024 | 15,3% | 13,2% |
| Contrato permanente, 2024 | 4,6% | 7,6% |
O que estes números não dizem
Não dizem que um contrato temporário empurra alguém para a pobreza. A taxa conta quem vive num agregado familiar abaixo do limiar; não mede nem a causa nem a remuneração do contrato, e nada aqui pondera a legislação laboral, as reformas ou os setores.
Não dizem que os trabalhadores de um ou de outro país são mais pobres. Cada limiar é uma fração da mediana do seu próprio país, pelo que uma taxa francesa e uma espanhola são duas posições, não dois níveis de vida.
Descrevem os rendimentos de 2024, recolhidos em 2025, não os deste ano. Abrangem os trabalhadores por conta de outrem, não os trabalhadores por conta própria nem os desempregados, e nada disto é uma previsão.



