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O registo · 14 de setembro de 2026

Em Marrocos, as mulheres empregadas trabalham por conta de outrem mais vezes do que os homens.No Paquistão, onde também poucas mulheres trabalham, muito menos.

Dezassete economias, um ano, duas proporções fáceis de confundir. Uma conta as mulheres ativas; a outra, aquilo por que as mulheres empregadas são pagas. Tudo o que se segue é verificável no mercado em direto.

73,7%das mulheres empregadas em Marrocos trabalham por conta de outrem, mais do que os 55,6 % dos homens
26,2%das mulheres empregadas no Paquistão também, muito abaixo dos 47,5 % dos homens, embora a proporção de mulheres ativas seja quase tão baixa como em Marrocos
54,0%das mulheres empregadas no Paquistão são trabalhadoras familiares não remuneradas, contadas como empregadas e sem salário, contra 10,1 % dos homens e 7,3 % das mulheres em Marrocos

Poucas mulheres empregadas, respostas opostas

Marrocos e o Paquistão estão entre as 14 economias, de 182, em que menos de uma mulher em cada quatro é ativa: 19,8 % em Marrocos e 24,0 % no Paquistão, contra 68,3 % e 80,1 % dos homens.

Entre as mulheres empregadas, os dois países dão respostas opostas. Em Marrocos, 73,7 % trabalham por conta de outrem, mais 18,1 pontos do que os homens, a quarta maior diferença a favor das mulheres das 182 economias que a publicam. No Paquistão, 26,2 %, menos 21,3 pontos do que os homens, 178.º de 182.

A tabela coloca-os entre outras quinze economias, uma por cada língua em que esta redação publica. A maioria das mais ricas pende ligeiramente para as mulheres: o Reino Unido por 6,4 pontos, a França por 4,9, a Alemanha por 4,3, o Japão por 2,8. O México está equilibrado, em menos 0,2. A Índia, as Filipinas, o Vietname e a Indonésia pendem para os homens. Nas 182, a diferença vai do Usbequistão, 23,4 pontos a favor das mulheres, à Gâmbia, 26,4 pontos a favor dos homens.

Proveniência: Fonte
Taxa de atividade feminina, e proporção de mulheres e homens EMPREGADOS que recebem um salário, 2024, para dezassete economias. Ordenadas pela diferença entre mulheres e homens, a mais favorável às mulheres primeiro. A primeira coluna é uma proporção de todas as mulheres com 15 ou mais anos; as outras três são proporções das pessoas empregadas.
EconomiaTaxa de atividade, mulheresPor conta de outrem, mulheresPor conta de outrem, homensDiferença, pontos
Marrocos19,8%73,7%55,6%+18,1
Polónia51,9%86,3%76,5%+9,9
Brasil53,6%75,1%65,3%+9,8
Reino Unido57,5%90,1%83,7%+6,4
Coreia do Sul56,8%80,4%74,6%+5,8
França51,8%89,2%84,3%+4,9
Alemanha55,6%94,1%89,8%+4,3
China59,4%64,1%60,1%+4,0
Japão55,6%92,3%89,5%+2,8
Tailândia59,5%50,0%48,4%+1,6
Türkiye36,8%72,1%70,7%+1,5
México47,4%69,1%69,2%-0,2
Índia32,4%20,6%26,2%-5,6
Filipinas50,5%58,6%67,1%-8,5
Vietname68,9%41,4%50,8%-9,4
Indonésia53,6%39,2%51,0%-11,8
Paquistão24,0%26,2%47,5%-21,3

Porque é que se separam

A explicação óbvia é a seleção: onde poucas mulheres trabalham, talvez só o façam as que têm um emprego assalariado. Foi testada antes de este artigo ser escrito, e não se confirma. Nas 182 economias, a diferença de atividade e a diferença de trabalho por conta de outrem não estão relacionadas: a sua correlação é de mais 0,03. O Paquistão é o contraexemplo à vista de todos.

O que acompanha a diferença é o trabalho familiar não remunerado, com uma correlação de menos 0,44. No Paquistão, 54,0 % das mulheres empregadas são trabalhadoras familiares não remuneradas, a sexta proporção mais alta das 182, contra 10,1 % dos homens. Em Marrocos são 7,3 %. Uma mulher que trabalha sem pagamento num negócio familiar, muitas vezes na terra, conta como empregada e não recebe salário, pelo que cada uma baixa a proporção por conta de outrem do seu país.

A mesma classificação funciona também no sentido inverso. Na Índia, 32,5 % das mulheres empregadas são trabalhadoras familiares não remuneradas, na Indonésia 24,8 %, e ambas pendem para os homens. Na Polónia e no Reino Unido a proporção é inferior a 1 %, e ambas pendem para as mulheres.

Proveniência: FonteO que conta cada proporção
  1. A taxa de atividade conta as mulheres com 15 ou mais anos que trabalham ou procuram emprego, em proporção de TODAS as mulheres dessa idade.
  2. A proporção por conta de outrem conta as mulheres a quem outra pessoa paga um salário, em proporção apenas das mulheres EMPREGADAS.
  3. Uma trabalhadora familiar não remunerada trabalha sem pagamento num negócio de um familiar. A classificação conta-a como empregada, e ela não recebe salário.

Assim, 73,7 % das marroquinas empregadas trabalharem por conta de outrem não quer dizer 73,7 % das marroquinas: é uma proporção das mulheres empregadas, e menos de uma marroquina em cada cinco é sequer ativa. E uma paquistanesa que trabalha sem salário na terra da família aumenta o número de mulheres empregadas do seu país ao mesmo tempo que baixa a proporção das que recebem salário.

Os três números deste artigo têm denominadores diferentes, e ler um pelo outro é precisamente o erro de que ele trata.

O que a diferença não diz

Não diz que as mulheres empregadas estão melhor em Marrocos ou pior no Paquistão. Um emprego por conta de outrem não é por definição o melhor emprego, e nada aqui mede salário, horas ou segurança.

Não descreve todas as mulheres. A proporção por conta de outrem é uma proporção das mulheres empregadas, que nos dois países são minoria. Ler os 73,7 % como uma afirmação sobre as marroquinas em geral é o erro que este artigo pretende evitar.

E não nomeia nenhuma causa. A cultura, a religião e a lei são todas apresentadas como explicações do trabalho das mulheres nos dois países, e nenhuma está nestes números. Uma correlação de menos 0,44 em 182 economias é uma relação real e moderada: deixa muitos países que não descreve.

O que os dados estabelecem

  • Em 2024, 73,7 % das mulheres empregadas em Marrocos trabalhavam por conta de outrem, contra 55,6 % dos homens: uma diferença de 18,1 pontos a favor das mulheres, a quarta maior de 182 economias. A taxa de atividade feminina era de 19,8 %.
  • No Paquistão, 26,2 % das mulheres empregadas trabalhavam por conta de outrem, contra 47,5 % dos homens: uma diferença de 21,3 pontos contra as mulheres, 178.º de 182. A taxa de atividade feminina era de 24,0 %.
  • Nas 182 economias, a diferença de trabalho por conta de outrem não está relacionada com a diferença de atividade (correlação de mais 0,03) e acompanha a diferença de trabalho familiar não remunerado (correlação de menos 0,44).
  • 54,0 % das mulheres empregadas no Paquistão eram trabalhadoras familiares não remuneradas, a sexta proporção mais alta de 182, contra 10,1 % dos homens e 7,3 % das mulheres em Marrocos.

O que não estabelecem

  • Que as mulheres empregadas estejam melhor em Marrocos ou pior no Paquistão. Nada aqui mede salário, horas ou segurança, e um emprego por conta de outrem não é por definição o melhor.
  • Que a proporção por conta de outrem descreva todas as mulheres. É uma proporção das mulheres empregadas, minoritárias nos dois países.
  • Qualquer causa, seja cultura, religião ou lei. Nenhuma está nestes números.
  • Que o trabalho familiar não remunerado explique a diferença em todo o lado. Uma correlação de menos 0,44 é moderada e deixa muitos países por descrever.
  • Nada sobre 2025 ou 2026, nem sobre as 35 economias da lista do Banco Mundial que não publicam as seis séries para 2024.

Método

  1. Uma fonte, um ano, seis séries. Dados Abertos do Banco Mundial: SL.EMP.WORK.FE.ZS e SL.EMP.WORK.MA.ZS (trabalhadores por conta de outrem, % do emprego feminino e masculino), SL.TLF.CACT.FE.ZS e SL.TLF.CACT.MA.ZS (taxa de atividade, % da população feminina e masculina com 15 ou mais anos) e SL.FAM.WORK.FE.ZS e SL.FAM.WORK.MA.ZS (trabalhadores familiares não remunerados, % do emprego feminino e masculino). Todas são estimativas modeladas da OIT. Ano de referência 2024, lido a 14 de setembro de 2026, conjunto de dados atualizado a 13 de julho de 2026 segundo o selo da própria fonte.
  2. OS AGREGADOS NÃO SÃO PAÍSES. Os totais regionais e por grupo de rendimento levam códigos de três letras como os países, e foram retirados com a marca que o próprio Banco Mundial lhes aplica, o que deixa 182 economias com as seis séries para 2024 das 217 da sua lista de países. Cada posição e cada contagem aqui é sobre essas 182.
  3. As correlações são coeficientes de Pearson sobre as 182 economias, cada uma contada uma vez qualquer que seja a sua população: o Paquistão e um pequeno Estado insular pesam o mesmo. Descrevem como as diferenças variam em conjunto de um país para outro, não dentro de um país.
  4. UMA HIPÓTESE FOI ABANDONADA. O artigo ia primeiro defender que uma baixa atividade feminina seleciona as mulheres para o trabalho por conta de outrem. Medida nas 182 antes da redação, a relação é de mais 0,03, pelo que a afirmação não foi feita.
  5. As diferenças são calculadas a partir dos valores não arredondados da fonte e depois apresentadas arredondadas, pelo que recalcular uma diferença a partir das proporções arredondadas da tabela pode diferir no último dígito. As dezassete economias são o mercado de cada língua em que esta redação publica, mais o Paquistão.

A BabZituna pontua cada vaga face ao seu perfil em seis dimensões reais, e publica o que consegue e o que não consegue medir. Ver o mercado em direto.

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