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BabZıtunaThe Market Desk

Os factos · 27 de agosto de 2026

O desemprego jovem parece estável. Mais nove milhões de jovens não trabalham nem estudam.

Uma taxa que se move um décimo de ponto é chamada estável e esquecida. Mas o relatório que a publica conta também mais nove milhões de jovens que não trabalham nem estudam, e coloca o desemprego jovem em 3,4 vezes o dos adultos, porque a taxa adulta caiu enquanto a dos jovens subia. Três medidas, uma geração, e o desacordo não é erro mas aritmética: cada uma divide por outra coisa. Cada número abaixo é um valor publicado no relatório da OIT ligado ao pé deste texto, lido no próprio relatório.

12.4%a taxa mundial de desemprego jovem em 2025, contra 12,3 % em 2023 - e projetada entre 12,3 % e 12,4 % até 2027
257mjovens que não trabalham, não estudam nem estão em formação em 2025 - mais nove milhões do que em 2023, uma parcela de 20 % contra 19,7 %
3.4a razão entre a taxa de desemprego jovem e a adulta em 2025, e a subir: os jovens passaram de 12,3 % para 12,4 % enquanto os adultos desciam de 3,7 % para 3,6 %

Um décimo de ponto, e nove milhões de pessoas

Em 2023 a taxa mundial de desemprego jovem atingiu o nível mais baixo em mais de duas décadas. O novo relatório da OIT mostra que deixou de cair: 12,3 % em 2023, 12,4 % em 2025, e uma projeção que a mantém entre esses dois valores até 2027. Lida sozinha, essa linha diz que nada está a acontecer.

O mesmo relatório conta os jovens que não têm emprego nem estudam nem estão em formação. Esse grupo cresceu nove milhões entre 2023 e 2025, chegando a 257 milhões - uma parcela dos jovens do mundo que passou de 19,7 % para 20 %. Lida sozinha, essa linha diz que há uma crise.

As duas linhas estão certas, e a razão está nos denominadores. A taxa de desemprego divide pela população ativa jovem: quem tem emprego e quem procura ativamente. A outra parcela divide pelo conjunto dos jovens, incluindo quem deixou de procurar. Um jovem que desiste da procura sai por completo da primeira medida e permanece na segunda.

Taxas mundiais, em percentagem, do relatório da OIT «Global Employment Trends for Youth 2026». «Jovens» significa 15-24 anos; «adultos», 25 ou mais. As duas primeiras linhas são parcelas da POPULAÇÃO ATIVA - quem trabalha ou procura ativamente. A terceira é uma parcela do CONJUNTO dos jovens, e é por isso que pode subir enquanto a taxa de desemprego fica parada. As linhas não são três tentativas de medir a mesma coisa.
O que é contado, e sobre que base20232025
Desempregados de 15-24 anos, sobre a população ativa dessa idade12.312.4
Desempregados de 25 anos ou mais, sobre a população ativa adulta3.73.6
Jovens de 15-24 anos sem trabalho, estudo ou formação, sobre o total de jovens19.720.0

Porque uma taxa parada pode esconder um número a subir

A OIT afirma-o sobre os seus próprios indicadores. A contagem do desemprego abrange jovens sem trabalho, fora do sistema de ensino e que procuram. A categoria de quem não trabalha, não estuda nem se forma acrescenta um grupo bem maior: quem não tem emprego nem formação e além disso não procura ativamente - os desencorajados e quem é impedido por responsabilidades de cuidado.

A consequência é contraintuitiva e vale a pena reter: mais escolarização pode fazer subir a taxa de desemprego. Quando os jovens passam do desemprego para os estudos, saem do grupo dos desempregados sem entrar no emprego, o que reduz a população ativa pela qual se divide. Para a OIT, uma queda da parcela de jovens fora do emprego e da formação é a melhor das duas notícias, porque só pode vir de mais emprego ou de mais estudo.

É por isso que «o desemprego jovem está estável» é uma frase defensável e um mau resumo. Fala dos jovens que ainda estão no mercado. Nada diz sobre os que saíram dele.

Três vírgula quatro

O sinal mais nítido do relatório não é nenhuma das taxas isoladamente, mas a distância entre elas. Entre 2023 e 2025 a taxa jovem subiu de 12,3 % para 12,4 % enquanto a dos 25 ou mais recuava de 3,7 % para 3,6 %. Moveram-se em sentidos opostos.

Isso deixa o desemprego jovem em 3,4 vezes o adulto em 2025, e o relatório regista essa razão a aumentar na Ásia Oriental, na África do Norte, na América do Norte, na Europa do Norte, do Sul e Ocidental, e na Ásia Meridional. O mercado de trabalho não piorou para todos. Piorou para quem tenta entrar, enquanto melhorava para quem já está dentro.

A dispersão regional é ampla. Em 2025 o desemprego jovem estava em 26,2 % nos Estados Árabes e 22,6 % na África do Norte; em 15 % na Europa do Norte, do Sul e Ocidental; e em 9,8 % na América do Norte, contra 8,3 % em 2023.

A diferença que a escola não explica

Um número do relatório resiste à explicação habitual. Em 2025 a taxa de emprego dos homens jovens era de 43,3 %; a das mulheres jovens, de 30,6 % - quase 13 pontos percentuais de diferença.

O relatório é explícito: não é uma questão de acesso à escola, pois homens e mulheres jovens estão hoje a par na matrícula. Seja o que for que produz treze pontos de diferença no acesso ao emprego, não é quem pôde estudar. E como boa parte dessa diferença corresponde a mulheres jovens que não procuram emprego, mais do que a mulheres que procuram sem encontrar, ela é quase invisível para a taxa de desemprego e bem visível na outra medida.

Se está a contratar

Seguem-se duas coisas práticas, e nenhuma exige acreditar numa previsão.

A primeira: uma taxa nacional de desemprego jovem informa mal sobre o grupo a que realmente consegue chegar. Descreve quem já procura. Para saber quantos jovens num mercado poderiam trabalhar e não trabalham, a medida que os inclui é a de quem não trabalha, não estuda nem se forma - e foi essa que se moveu.

A segunda: o relatório assinala uma erosão dos empregos de qualificação média, os que há muito servem de primeiro degrau depois do secundário ou de uma formação técnica. Se esse degrau afina, a vaga júnior que publica pesa mais do que pesava, e quem se candidata tem menos alternativas do que teria há três anos.

Ligamos pessoas a trabalho, e uma medida que ignora quem deixou de procurar seria conveniente para nós. Como testamos o enviesamento do nosso emparelhamento é público, e obedece à mesma disciplina acima: nomear a régua antes de citar o número.

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