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Fotografia: Centar MURID / Unsplash · Croácia

Entre economias · 23

Construção: taxa de mortalidade croata é cinco vezes a alemã

Não é um mau ano isolado: de 2020 a 2024, a Croácia manteve-se entre 13,9 e 14,86 mortes por cada 100 000 trabalhadores, e a Alemanha entre 2,85 e 3,56.

Numa obra, a probabilidade de não voltar a casa não é a mesma em toda a Europa. Em 2024 era cinco vezes maior na Croácia do que na Alemanha, medida em mortes por cada 100 000 pessoas que trabalham na construção. Eis onde se situam os 27 Estados-Membros, o que o Eurostat conta como uma morte no trabalho, porque é que cinco anos de números pesam mais do que um, e o que muda se recruta para uma obra ou procura trabalho numa.

14,24mortes após um acidente no trabalho por cada 100 000 pessoas que trabalham na construção na Croácia, 2024
2,85o mesmo na Alemanha, a sexta taxa mais baixa dos 27 Estados-Membros
6,13o mesmo na União Europeia no seu conjunto

A Croácia a cinco vezes a taxa alemã

Bulgária16,48
Croácia14,24
Portugal10,85
França8,78
Itália8,21
Espanha7,69
UE6,13
Polónia5,62
Áustria5,15
Alemanha2,85
Acidentes mortais no trabalho na construção por cada 100 000 pessoas que trabalham na construção, 2024. Uma morte conta quando se segue, no prazo de um ano, a um acidente ocorrido no decurso do trabalho; os acidentes rodoviários durante o trabalho estão incluídos, as deslocações entre casa e o trabalho não. A Bulgária tem a taxa mais alta dos 27 Estados-Membros; as taxas dos países mais pequenos assentam num punhado de mortes. Eurostat, hsw_n2_02, lido a 5 de outubro de 2026.

Cinco vezes a taxa alemã

Em 2024, os acidentes no trabalho mataram 14,24 pessoas por cada 100 000 que trabalhavam na construção na Croácia, e 2,85 na Alemanha. A taxa croata é cinco vezes a alemã e mais do dobro da da União Europeia, que ficava nos 6,13. Os números vêm das estatísticas do Eurostat sobre acidentes no trabalho, atualizadas a 25 de setembro de 2026.

Entre os 27 Estados-Membros, só a Bulgária ficava acima, com 16,48; Portugal vinha a seguir à Croácia, com 10,85. No outro extremo, a Eslováquia registou 2 e os Países Baixos 0,79, cada um com três mortes. A França ficava nos 8,78, a Itália nos 8,21, Espanha nos 7,69 e a Polónia nos 5,62.

Contada em mortes em vez de taxas, a ordem inverte-se: 81 pessoas morreram na construção alemã em 2024, contra 22 na Croácia. A Alemanha tem muito mais trabalhadores na construção, e uma taxa divide por eles. Na Croácia, a construção representou 22 dos 48 acidentes mortais no trabalho registados nesse ano; na União Europeia, 776 de 3 367.

Proveniência: Fonte
Acidentes mortais no trabalho na construção, 2024: mortes por cada 100 000 pessoas que trabalham na construção, e número de mortes. Primeiro a União Europeia, depois os 27 Estados-Membros, da taxa mais alta para a mais baixa. Nos países mais pequenos, uma taxa assenta num punhado de mortes. Eurostat, hsw_n2_02.
Estado-MembroMortes por 100 000Mortes
União Europeia6,13776
Bulgária16,4826
Croácia14,2422
Portugal10,8539
Grécia9,117
Estónia8,924
Malta8,852
Eslovénia8,847
França8,78131
Itália8,21132
Roménia7,8539
Espanha7,69108
Hungria7,522
Chéquia6,9317
Letónia6,694
Lituânia5,756
Polónia5,6259
Áustria5,1517
Bélgica4,39
Luxemburgo4,192
Dinamarca3,116
Irlanda2,915
Alemanha2,8581
Suécia2,6710
Chipre2,591
Finlândia2,314
Eslováquia23
Países Baixos0,793

O que conta como morte no trabalho

O Eurostat conta um acidente no trabalho quando algo acontece no decurso do trabalho e causa dano, e um acidente mortal quando a vítima morre no prazo de um ano. Os acidentes rodoviários durante o trabalho estão incluídos; os acidentes no trajeto entre casa e o trabalho não, nem as lesões autoinfligidas deliberadamente e as mortes por causas estritamente naturais.

A taxa divide essas mortes pelo número de pessoas que trabalham na construção, por cada 100 000. Nada mais é ajustado: o Eurostat não publica nenhuma taxa padronizada para um único setor, pelo que o número descreve a construção tal como o setor de cada país a viveu.

Os dois países não contam exatamente as mesmas pessoas. Os números da Croácia abrangem os trabalhadores por conta de outrem e os por conta própria; os da Alemanha, apenas os por conta de outrem. Cada taxa divide as suas mortes pelos trabalhadores que abrange, pelo que a comparação se mantém, mas as duas populações não são idênticas. O Eurostat considera muito elevada a comparabilidade entre países dos acidentes mortais declarados, embora note que as práticas de reconhecimento podem diferir.

Proveniência: FonteO que isto conta
  1. O ACONTECIMENTO: um acidente ocorrido no decurso do trabalho que causa dano, na obra, noutro local ou na estrada durante o trabalho. Os acidentes no trajeto entre casa e o trabalho, as lesões autoinfligidas deliberadamente e as mortes por causas estritamente naturais não são contados.
  2. O PRAZO: um acidente é mortal quando a vítima morre no prazo de um ano.
  3. A TAXA: essas mortes divididas pelo número de pessoas que trabalham na construção, por cada 100 000. A Croácia conta os trabalhadores por conta de outrem e os por conta própria, a Alemanha apenas os por conta de outrem; cada uma divide pelos trabalhadores que abrange.

Assim, os 14,24 da Croácia não dizem que cada obra croata é cinco vezes mais perigosa do que cada obra alemã: dizem que em 2024, por cada 100 000 pessoas que trabalhavam na construção croata, 14,24 morreram na sequência de um acidente no trabalho, contra 2,85 na Alemanha.

Um acontecimento, um prazo e uma divisão, e uma leitura que esqueça qualquer um deles diz o que a fonte não diz.

Cinco anos, não um

A taxa croata manteve-se entre 13,9 e 14,86 todos os anos desde 2020, e a alemã entre 2,85 e 3,56. Ano a ano, a taxa croata foi de 3,9 a 5,2 vezes a alemã. A da União Europeia variou entre 6,08 e 6,49.

A comparação começa em 2020 porque a série de cada país tem aí uma quebra. O Eurostat assinala 2020 como quebra de série para todos eles, pelo que aqui nenhum número anterior é posto lado a lado com um posterior.

A Bulgária mostra porque é que um ano não basta. A sua taxa foi de 6,31 em 2021 e de 19,27 em 2023, com 9 e 29 mortes. A da Croácia, com 17 a 22 mortes por ano, não oscilou assim, e é por isso que esta edição assenta na Croácia e não no topo da classificação de 2024.

Proveniência: Fonte
Acidentes mortais no trabalho na construção por cada 100 000 pessoas que trabalham na construção, de 2020 a 2024, e as mortes por detrás das taxas croata e alemã. O Eurostat assinala uma quebra em todas as séries em 2020, pelo que nenhum ano anterior é mostrado. Eurostat, hsw_n2_02.
AnoCroáciaAlemanhaUEBulgáriaCroácia, mortesAlemanha, mortes
202013,93,566,0815,221794
202113,953,176,496,311886
202214,862,946,1315,072081
202314,852,886,3719,272184
202414,242,856,1316,482281

O que estes números não dizem

Não dizem porquê. Nada aqui mede a formação, as inspeções, a subcontratação, a idade dos trabalhadores ou a sua origem, e nenhuma política nacional é avaliada.

Não dizem quão segura é uma obra ou um empregador em particular. Uma taxa nacional faz a média de todas as obras do país, e com 22 mortes um único acidente move a taxa croata em cerca de 0,65.

Abrangem apenas mortes, em 2024 e nos quatro anos anteriores. Os acidentes não mortais são declarados de forma muito diferente de país para país e ficam de fora, nenhum ano anterior a 2020 é comparado, e nada disto é uma previsão.

O que isto significa para si

Se procura trabalho na construção na Croácia

Na Croácia, em 2024, morreram 14,24 pessoas na sequência de um acidente no trabalho por cada 100 000 que trabalhavam na construção: cinco vezes a taxa da Alemanha e mais do dobro dos 6,13 da União Europeia, e tem sido assim todos os anos desde 2020. Antes de aceitar um trabalho numa obra, pergunte quem é responsável pela segurança na obra, que formação recebe antes do primeiro dia, que equipamento de proteção é fornecido, e se será contratado como trabalhador por conta de outrem ou por conta própria.

Se recruta para obras na Croácia

A construção representou 22 dos 48 acidentes mortais no trabalho registados na Croácia em 2024. Os candidatos que conhecem o número vão perguntar por ele, e um anúncio que responda primeiro destaca-se. Diga o que a taxa nacional não pode dizer: a formação em segurança que dá antes do primeiro dia, o equipamento que fornece, quem supervisiona a obra e o seu próprio historial, se o puder afirmar com verdade.

Como foi contado

Método

  1. Um quadro. Eurostat, hsw_n2_02 (acidentes mortais no trabalho por atividade da NACE Rev. 2), das estatísticas europeias sobre acidentes no trabalho (ESAW), atualizado a 25 de setembro de 2026 e lido através da API de difusão do Eurostat a 5 de outubro de 2026 às 21:06 (+01:00).
  2. A DEFINIÇÃO. Segundo os metadados ESAW do Eurostat: um acidente no trabalho é uma ocorrência isolada no decurso do trabalho que provoca dano físico ou psíquico, incluindo os acidentes rodoviários no decurso do trabalho e excluindo os acidentes no trajeto entre casa e o trabalho, as lesões autoinfligidas deliberadamente e os acidentes por causas estritamente naturais; é mortal quando a vítima morre no prazo de um ano. A construção é a secção F da NACE Rev. 2.
  3. A TAXA. A taxa de incidência do Eurostat: acidentes mortais divididos pelo número de pessoas empregadas no setor, multiplicados por 100 000, impressa com duas casas decimais, tal como publicada. O Eurostat não produz nenhuma taxa padronizada para um único setor. Nos metadados nacionais, a população da Croácia abrange os trabalhadores por conta de outrem, incluindo os por conta própria; a da Alemanha abrange apenas os por conta de outrem, fora da agricultura.
  4. ANOTAÇÕES E LIMITES. Nenhum valor de 2024 usado aqui tem anotação. Todas as séries têm uma quebra em 2020, pelo que nenhum ano anterior a 2020 é comparado. O Eurostat considera muito elevada a comparabilidade entre países dos acidentes mortais declarados, embora note que as práticas de reconhecimento podem diferir; os acidentes não mortais, cuja declaração varia muito, não são usados.
  5. O CÁLCULO DA REDAÇÃO. O «cinco vezes» divide a taxa croata de 2024 pela alemã (14,24 por 2,85). Os rácios anuais, de 3,9 a 5,2, dividem as duas taxas ano a ano. O «cerca de 0,65» divide a taxa croata pelas suas 22 mortes: o peso de uma morte. As mortes e as taxas são as do Eurostat, tal como publicadas.
O que os dados estabelecem, e o que não

O que os dados estabelecem

  • Em 2024, a construção registou 14,24 mortes após um acidente no trabalho por cada 100 000 trabalhadores na Croácia e 2,85 na Alemanha; a taxa croata é cinco vezes a alemã, e a União Europeia ficava nos 6,13.
  • Entre os 27 Estados-Membros, só a Bulgária (16,48) estava acima da Croácia; os Países Baixos tinham a taxa mais baixa (0,79).
  • Todos os anos de 2020 a 2024, a taxa croata foi de 3,9 a 5,2 vezes a alemã.
  • Ainda assim, a Alemanha registou mais mortes na construção, 81 contra 22; na Croácia, a construção representou 22 dos 48 acidentes mortais no trabalho de 2024.

O que não estabelecem

  • Porquê: nenhuma causa, formação, inspeção, subcontratação ou característica da mão de obra é medida.
  • Quão segura é uma obra, empresa ou função em particular: uma taxa nacional faz a média de todas.
  • Seja o que for sobre os acidentes não mortais, que os países declaram de forma demasiado diferente para os comparar.
  • Quem eram as vítimas: a idade, a profissão e a nacionalidade não são usadas.
  • Qualquer comparação anterior a 2020, qualquer número posterior a 2024 e qualquer previsão.
Fontes primárias

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