Cinco vezes a taxa alemã
Em 2024, os acidentes no trabalho mataram 14,24 pessoas por cada 100 000 que trabalhavam na construção na Croácia, e 2,85 na Alemanha. A taxa croata é cinco vezes a alemã e mais do dobro da da União Europeia, que ficava nos 6,13. Os números vêm das estatísticas do Eurostat sobre acidentes no trabalho, atualizadas a 25 de setembro de 2026.
Entre os 27 Estados-Membros, só a Bulgária ficava acima, com 16,48; Portugal vinha a seguir à Croácia, com 10,85. No outro extremo, a Eslováquia registou 2 e os Países Baixos 0,79, cada um com três mortes. A França ficava nos 8,78, a Itália nos 8,21, Espanha nos 7,69 e a Polónia nos 5,62.
Contada em mortes em vez de taxas, a ordem inverte-se: 81 pessoas morreram na construção alemã em 2024, contra 22 na Croácia. A Alemanha tem muito mais trabalhadores na construção, e uma taxa divide por eles. Na Croácia, a construção representou 22 dos 48 acidentes mortais no trabalho registados nesse ano; na União Europeia, 776 de 3 367.
| Estado-Membro | Mortes por 100 000 | Mortes |
|---|---|---|
| União Europeia | 6,13 | 776 |
| Bulgária | 16,48 | 26 |
| Croácia | 14,24 | 22 |
| Portugal | 10,85 | 39 |
| Grécia | 9,1 | 17 |
| Estónia | 8,92 | 4 |
| Malta | 8,85 | 2 |
| Eslovénia | 8,84 | 7 |
| França | 8,78 | 131 |
| Itália | 8,21 | 132 |
| Roménia | 7,85 | 39 |
| Espanha | 7,69 | 108 |
| Hungria | 7,5 | 22 |
| Chéquia | 6,93 | 17 |
| Letónia | 6,69 | 4 |
| Lituânia | 5,75 | 6 |
| Polónia | 5,62 | 59 |
| Áustria | 5,15 | 17 |
| Bélgica | 4,3 | 9 |
| Luxemburgo | 4,19 | 2 |
| Dinamarca | 3,11 | 6 |
| Irlanda | 2,91 | 5 |
| Alemanha | 2,85 | 81 |
| Suécia | 2,67 | 10 |
| Chipre | 2,59 | 1 |
| Finlândia | 2,31 | 4 |
| Eslováquia | 2 | 3 |
| Países Baixos | 0,79 | 3 |
O que conta como morte no trabalho
O Eurostat conta um acidente no trabalho quando algo acontece no decurso do trabalho e causa dano, e um acidente mortal quando a vítima morre no prazo de um ano. Os acidentes rodoviários durante o trabalho estão incluídos; os acidentes no trajeto entre casa e o trabalho não, nem as lesões autoinfligidas deliberadamente e as mortes por causas estritamente naturais.
A taxa divide essas mortes pelo número de pessoas que trabalham na construção, por cada 100 000. Nada mais é ajustado: o Eurostat não publica nenhuma taxa padronizada para um único setor, pelo que o número descreve a construção tal como o setor de cada país a viveu.
Os dois países não contam exatamente as mesmas pessoas. Os números da Croácia abrangem os trabalhadores por conta de outrem e os por conta própria; os da Alemanha, apenas os por conta de outrem. Cada taxa divide as suas mortes pelos trabalhadores que abrange, pelo que a comparação se mantém, mas as duas populações não são idênticas. O Eurostat considera muito elevada a comparabilidade entre países dos acidentes mortais declarados, embora note que as práticas de reconhecimento podem diferir.
- O ACONTECIMENTO: um acidente ocorrido no decurso do trabalho que causa dano, na obra, noutro local ou na estrada durante o trabalho. Os acidentes no trajeto entre casa e o trabalho, as lesões autoinfligidas deliberadamente e as mortes por causas estritamente naturais não são contados.
- O PRAZO: um acidente é mortal quando a vítima morre no prazo de um ano.
- A TAXA: essas mortes divididas pelo número de pessoas que trabalham na construção, por cada 100 000. A Croácia conta os trabalhadores por conta de outrem e os por conta própria, a Alemanha apenas os por conta de outrem; cada uma divide pelos trabalhadores que abrange.
Assim, os 14,24 da Croácia não dizem que cada obra croata é cinco vezes mais perigosa do que cada obra alemã: dizem que em 2024, por cada 100 000 pessoas que trabalhavam na construção croata, 14,24 morreram na sequência de um acidente no trabalho, contra 2,85 na Alemanha.
Um acontecimento, um prazo e uma divisão, e uma leitura que esqueça qualquer um deles diz o que a fonte não diz.
Cinco anos, não um
A taxa croata manteve-se entre 13,9 e 14,86 todos os anos desde 2020, e a alemã entre 2,85 e 3,56. Ano a ano, a taxa croata foi de 3,9 a 5,2 vezes a alemã. A da União Europeia variou entre 6,08 e 6,49.
A comparação começa em 2020 porque a série de cada país tem aí uma quebra. O Eurostat assinala 2020 como quebra de série para todos eles, pelo que aqui nenhum número anterior é posto lado a lado com um posterior.
A Bulgária mostra porque é que um ano não basta. A sua taxa foi de 6,31 em 2021 e de 19,27 em 2023, com 9 e 29 mortes. A da Croácia, com 17 a 22 mortes por ano, não oscilou assim, e é por isso que esta edição assenta na Croácia e não no topo da classificação de 2024.
| Ano | Croácia | Alemanha | UE | Bulgária | Croácia, mortes | Alemanha, mortes |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 2020 | 13,9 | 3,56 | 6,08 | 15,22 | 17 | 94 |
| 2021 | 13,95 | 3,17 | 6,49 | 6,31 | 18 | 86 |
| 2022 | 14,86 | 2,94 | 6,13 | 15,07 | 20 | 81 |
| 2023 | 14,85 | 2,88 | 6,37 | 19,27 | 21 | 84 |
| 2024 | 14,24 | 2,85 | 6,13 | 16,48 | 22 | 81 |
O que estes números não dizem
Não dizem porquê. Nada aqui mede a formação, as inspeções, a subcontratação, a idade dos trabalhadores ou a sua origem, e nenhuma política nacional é avaliada.
Não dizem quão segura é uma obra ou um empregador em particular. Uma taxa nacional faz a média de todas as obras do país, e com 22 mortes um único acidente move a taxa croata em cerca de 0,65.
Abrangem apenas mortes, em 2024 e nos quatro anos anteriores. Os acidentes não mortais são declarados de forma muito diferente de país para país e ficam de fora, nenhum ano anterior a 2020 é comparado, e nada disto é uma previsão.



