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Fotografia: Kaja Sariwating / Unsplash

Observatório de mercados · 41

Um em cada cinco a tempo parcial arrisca a pobreza

Em França, a taxa de quem trabalha a tempo parcial passou de 15,8% em 2022 para 20,2%, contra 6,0% a tempo inteiro.

Ter emprego e estar em risco de pobreza não são opostos, e em França a sobreposição tem vindo a crescer, sobretudo para quem trabalha a tempo parcial. Eis o que o inquérito conta, porque é que diz respeito aos agregados familiares e não ao salário, como se comparam o trabalho a tempo parcial e o temporário, e o que isto significa se está a recrutar ou à procura de trabalho em França.

20,2%dos trabalhadores a tempo parcial em risco de pobreza, França, inquérito de 2025
6,0%dos trabalhadores a tempo inteiro, no mesmo ano
8,7%de todas as pessoas empregadas, contra 8,3% na UE

Em França, o risco de pobreza de quem trabalha a tempo parcial é o mais alto da série

201513,2%
201613,5%
201712,8%
201811,9%
201915,5%
202017,2%
202113,9%
202215,8%
202316,6%
202417,8%
202520,2%
Taxa de risco de pobreza no trabalho, pessoas a trabalhar a tempo parcial, França, inquéritos de 2015 a 2025, em percentagem. Cada inquérito mede os rendimentos do ano anterior. O Eurostat assinala quebras de série em 2020 e 2022. Eurostat, ilc_iw07, lido a 21 de outubro de 2026.

Tempo parcial, tempo inteiro

Em França, 20,2% das pessoas que trabalhavam a tempo parcial estavam em risco de pobreza no inquérito de 2025, contra 6,0% das que trabalhavam a tempo inteiro. Em 2022, a taxa do tempo parcial era de 15,8%.

No conjunto da UE, a taxa do tempo parcial era de 13,5%. A tempo inteiro, a França ficava abaixo da média da UE, com 6,0% contra 6,8%.

Os trabalhadores com contrato a termo mostram o mesmo fosso: 18,2%, contra 4,9% dos que têm contrato sem termo. Os trabalhadores por conta própria estavam nos 21,8%, os trabalhadores por conta de outrem nos 6,8%.

Proveniência: Fonte
Taxa de risco de pobreza no trabalho, França, inquéritos de 2022 e 2025, em percentagem, a variação em pontos percentuais e a média da UE em 2025. O Eurostat assinala uma quebra de série para a França em 2022. Eurostat, ilc_iw01, ilc_iw05 e ilc_iw07.
GrupoFrança 2022França 2025VariaçãoUE 2025
Total empregados7,5%8,7%+1,28,3%
Por conta de outrem6,0%6,8%+0,86,5%
Por conta própria17,5%21,8%+4,319,7%
Tempo inteiro5,4%6,0%+0,66,8%
Tempo parcial15,8%20,2%+4,413,5%
Contrato sem termo4,4%4,9%+0,55,2%
Contrato a termo14,2%18,2%+4,012,9%

Agregados familiares, não salários

Estar em risco de pobreza significa que o rendimento disponível de um agregado familiar, ajustado à sua dimensão, está abaixo de 60% da mediana nacional. Para um adulto sozinho em França, esse limiar era de 15 875 euros por ano.

Diz respeito ao agregado, não ao emprego. Um salário baixo num agregado com outro rendimento pode não contar; um salário completo que sustenta uma família pode contar.

Cada inquérito mede os rendimentos do ano anterior. Os números de 2025 descrevem 2024, e o limiar acompanha a mediana.

Proveniência: FonteO que isto conta
  1. EM RISCO DE POBREZA: o rendimento disponível do agregado familiar, ajustado à sua dimensão, está abaixo de 60% da mediana nacional. Para um adulto sozinho em França, isso correspondia a 15 875 euros por ano no inquérito de 2025. Diz respeito ao agregado, não ao salário.
  2. EMPREGADOS: pessoas com 18 ou mais anos que estiveram empregadas durante mais de metade do ano de rendimento. O tempo parcial ou o contrato a termo descreve a sua situação principal nesse ano.
  3. O ANO: cada inquérito mede os rendimentos do ano civil anterior, pelo que os números de 2025 descrevem 2024. O Eurostat assinala quebras de série para a França em 2008, 2020 e 2022, pelo que as variações aqui contam a partir de 2022.

Assim, 20,2% não diz que um em cada cinco trabalhadores a tempo parcial recebe abaixo de um limiar de pobreza: diz que um em cada cinco vivia num agregado cujo rendimento, ajustado à sua dimensão, ficava abaixo de 15 875 euros por ano para um adulto sozinho.

Um limiar ao nível do agregado, um ano de rendimentos e uma quebra de série, e uma leitura que esqueça qualquer um deles diz o que a fonte não diz.

Três subidas seguidas

No conjunto das pessoas empregadas em França, a taxa era de 8,7% no inquérito de 2025, acima dos 7,5% de 2022, dos 7,8% de 2023 e dos 8,3% de 2024. A média da UE era de 8,3%.

Para o tempo parcial, 20,2% é o valor mais alto da série francesa, que começa em 2004. A série tem quebras em 2008, 2020 e 2022, pelo que só a variação desde 2022 é medida numa mesma base.

O inquérito foi concebido para medir a taxa de pobreza global com uma precisão de cerca de um ponto, e um grupo como o do tempo parcial assenta numa amostra mais pequena. Uma variação de algumas décimas num ano pode ser ruído; no tempo parcial, a taxa passou de 15,5% para 17,2% e voltou a descer para 13,9% entre 2019 e 2021.

Proveniência: Fonte
Taxa de risco de pobreza no trabalho, França, inquéritos de 2019 a 2025, em percentagem; cada inquérito mede os rendimentos do ano anterior. Média da UE a partir de 2019. Eurostat, ilc_iw01 e ilc_iw07.
InquéritoFrançaTempo parcialUE
20197,4%15,5%9,1%
2020 (quebra)7,4%17,2%8,8%
20216,9%13,9%8,9%
2022 (quebra)7,5%15,8%8,5%
20237,8%16,6%8,3%
20248,3%17,8%8,2%
20258,7%20,2%8,3%

O que estes números não dizem

Não dizem porquê. Nada aqui mede o salário mínimo, as prestações sociais, os preços ou qualquer reforma, e nenhuma política é avaliada.

Não contam pessoas, e descrevem a França no seu conjunto, não uma região. A França só é comparada com a média da UE.

Descrevem os rendimentos de 2024, e nada disto é uma previsão.

O que isto significa para si

Se está a recrutar em França

Em França, um em cada cinco trabalhadores a tempo parcial, 20,2%, vive num agregado familiar abaixo do limiar de pobreza, contra 6,0% dos que trabalham a tempo inteiro. O número descreve os agregados das pessoas que ocupam esses empregos, não a sua tabela salarial, e não diz porquê.

Se está à procura de trabalho em França

Se está a ponderar um lugar a tempo parcial, faça as contas ao ano inteiro: em França, 20,2% dos trabalhadores a tempo parcial e 18,2% dos trabalhadores com contrato a termo estavam em risco de pobreza, contra 6,0% dos que trabalham a tempo inteiro e 4,9% dos que têm contrato sem termo. Para um adulto sozinho, o limiar era de 15 875 euros de rendimento disponível por ano no inquérito de 2025, cerca de 1 323 euros por mês.

Como foi contado

Método

  1. Quatro tabelas. Eurostat, ilc_iw01, ilc_iw05, ilc_iw07 (taxa de risco de pobreza no trabalho) e ilc_li01 (limiares de pobreza), das estatísticas da União Europeia sobre o rendimento e as condições de vida (EU-SILC), todas atualizadas a 20 de outubro de 2026 e lidas através da API do Eurostat a 21 de outubro de 2026 às 21:55 (+01:00).
  2. A MEDIDA. A taxa de risco de pobreza no trabalho é a proporção de pessoas com 18 ou mais anos, empregadas durante mais de metade do ano de rendimento, cujo rendimento disponível equivalente do agregado está abaixo de 60% da mediana nacional. O limiar para um adulto sozinho em França era de 15 875 euros por ano no inquérito de 2025.
  3. O ANO. Em todos os países, os rendimentos do EU-SILC referem-se ao ano civil anterior: o inquérito de 2025 descreve os rendimentos de 2024.
  4. AS QUEBRAS. O Eurostat assinala quebras na série da França em 2008, 2020 e 2022. As variações são medidas desde 2022; «o mais alto da série» compara números publicados através dessas quebras.
  5. LIMITES. O inquérito foi concebido para medir a taxa de pobreza global com uma precisão de cerca de um ponto; grupos como o do tempo parcial assentam em amostras mais pequenas, e o Eurostat não publica nenhuma margem para eles. Nada aqui conta pessoas, abrange uma região ou aponta uma causa.
O que os dados estabelecem, e o que não

O que os dados estabelecem

  • Em França, 20,2% dos trabalhadores a tempo parcial estavam em risco de pobreza no inquérito de 2025, contra 6,0% dos trabalhadores a tempo inteiro.
  • A taxa do tempo parcial era de 15,8% em 2022; a média da UE para o tempo parcial era de 13,5% em 2025.
  • No conjunto das pessoas empregadas, a taxa francesa era de 8,7%, contra 7,5% em 2022 e 8,3% na UE.
  • Os trabalhadores com contrato a termo estavam nos 18,2% e os com contrato sem termo nos 4,9%.

O que não estabelecem

  • Que um em cada cinco trabalhadores a tempo parcial receba abaixo de um limiar de pobreza: a medida diz respeito ao rendimento do agregado.
  • Porque subiram as taxas: nenhuma causa é medida, incluindo o salário mínimo, as prestações sociais ou os preços.
  • Quantas pessoas estão abrangidas: os números são taxas, não contagens.
  • Nada sobre qualquer região, nem sobre a posição da França face a qualquer outro país.
  • Como são os rendimentos depois de 2024, ou o que vem a seguir: nada aqui é uma previsão.
Fontes primárias

A BabZituna avalia cada vaga face ao seu perfil em seis dimensões reais, e publica o que consegue e o que não consegue medir. Ver o mercado em direto.

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