Abaixo de qualquer trimestre anterior a 2021
Em agosto de 2026, a Austrália tinha 2,2 pessoas desempregadas por cada vaga. O ABS contou 325 000 vagas e 722 900 desempregados, em dados ajustados de sazonalidade; a razão é da redação.
Face a toda a série, é um valor baixo. Nos 162 trimestres com valor de 1979 a 2020, a razão mais baixa foi de 2,5, em fevereiro de 2008. Os 21 trimestres abaixo de 2,2 surgiram todos depois de maio de 2021, e o mais baixo de toda a série foi de 1,1, em agosto de 2022.
Antes da pandemia, a razão era ainda mais alta. Em agosto de 2019, a Austrália tinha 3,2 pessoas desempregadas por vaga, com 221 900 vagas; as vagas estão hoje 46% acima desse nível.
A subir, a partir de muito baixo
A razão mais ou menos duplicou em quatro anos. Um ano antes, em agosto de 2025, era de 2,0. Desde então, o número de desempregados aumentou 80 000, de 642 900 para 722 900, enquanto as vagas passavam de 329 500 para 325 000.
O mercado está, portanto, a aliviar porque há mais pessoas à procura de trabalho, e não porque as vagas tenham desabado. As vagas estão 31% abaixo do seu pico de 472 700, em maio de 2022, e ainda acima do nível mais alto anterior a 2021, 260 000 em novembro de 2020.
Estado a estado, o quadro face a 2019 é o mesmo em todos menos um. Em sete dos oito estados e territórios, a razão é mais baixa do que em agosto de 2019; Queensland passou de 4,3 para 2,0 e a Austrália Meridional de 5,8 para 2,3. A exceção é o Território da Capital Australiana, de 1,3 para 1,9, onde as vagas passaram de 7600 para 6100: uma descida menor do que a margem de erro do inquérito.
| Estado ou território | Desempregados por vaga, agosto de 2019 | Desempregados por vaga, agosto de 2026 | Vagas, agosto de 2019 (milhares) | Vagas, agosto de 2026 (milhares) |
|---|---|---|---|---|
| Austrália | 3,2 | 2,2 | 221,9 | 325,0 |
| Tasmânia | 5,1 | 2,9 | 3,6 | 5,4 |
| Vitória | 2,9 | 2,6 | 61,2 | 77,5 |
| Austrália Meridional | 5,8 | 2,3 | 11,3 | 19,9 |
| Nova Gales do Sul | 2,6 | 2,1 | 72,8 | 96,5 |
| Queensland | 4,3 | 2,0 | 39,1 | 69,5 |
| Austrália Ocidental | 3,1 | 2,0 | 26,4 | 40,9 |
| Território da Capital Australiana | 1,3 | 1,9 | 7,6 | 6,1 |
| Território do Norte | 2,0 | 1,3 | 4,3 | 5,8 |
O que a razão conta
Divide um inquérito por outro. Os desempregados vêm do Inquérito à População Ativa: pessoas sem trabalho remunerado, disponíveis e à procura. As vagas vêm do Inquérito sobre Vagas: postos disponíveis para preenchimento imediato num dia, para os quais o empregador começou a recrutar.
Não é o número de candidatos por emprego. Uma pessoa desempregada pode candidatar-se a muitas vagas ou a nenhuma, e muitas vagas são preenchidas por pessoas que já têm emprego. A razão compara a dimensão de dois conjuntos.
E os estados têm mais ruído do que o país. O ABS publica um erro-padrão para cada estimativa de vagas; para o Território da Capital Australiana é de 700 nos dois anos, pelo que a sua descida de 1500 está dentro da margem de erro do inquérito. Os números dos estados são estimativas originais, comparando agosto com agosto.
- PESSOAS DESEMPREGADAS, segundo o Inquérito à População Ativa: pessoas sem trabalho remunerado que estão disponíveis e à procura ativa de emprego, ou prestes a começar um emprego, contadas onde vivem.
- VAGAS, segundo o Inquérito sobre Vagas: postos disponíveis para preenchimento imediato num dia de referência, a terceira sexta-feira do mês do inquérito, para os quais o empregador iniciou ações de recrutamento. Não são anúncios, nem empregos que existem.
- UMA RAZÃO ENTRE DOIS CONJUNTOS, não candidatos por emprego. Uma pessoa desempregada pode candidatar-se a muitas vagas ou a nenhuma, e uma vaga pode ser preenchida por alguém que já trabalha. Uma razão mais baixa é um mercado mais apertado: um conjunto mais pequeno por cada vaga.
Assim, os 2,2 não dizem que duas pessoas se candidatam a cada emprego: dizem que, em agosto de 2026, a Austrália tinha 2,2 pessoas sem trabalho e à procura por cada posto que um empregador tentava preencher no dia do inquérito, e que de 1979 a 2020 esse número nunca desceu abaixo de 2,5.
Dois inquéritos, um dividido pelo outro pela redação, e uma leitura que esquece o que cada um conta diz o que a fonte não diz.
O que estes números não dizem
Não apontam causa nenhuma. As taxas de juro, a imigração, o setor mineiro e a inteligência artificial foram todos invocados para explicar o mercado de trabalho da Austrália, e nenhum deles é medido aqui.
Não dizem que se perderam empregos quando as vagas desceram. Uma vaga é um posto que um empregador ainda está a tentar preencher, pelo que menos vagas são menos postos por preencher. Também não dizem que alguém se mudou de um estado para outro.
Não preveem nada, e a série começa em 1979: nada aqui diz respeito a qualquer ano anterior.



