Três em cada dez, e um em cada duzentos
Em 2025, 28,8 % dos desempregados polacos procuravam há doze meses ou mais, e 0,5 % dos sul-coreanos: 57.º e 106.º das 107 economias que registam a duração. As suas taxas de desemprego estão a um quarto de ponto, 3,0 % e 2,8 %, e ambos os países estão no terço mais rico do conjunto.
A dispersão é enorme. A economia mediana é o Brasil, com 30,2 %; em 25 das 107 mais de metade dos desempregados procura há um ano ou mais, e em 9 menos de um em cada dez. O valor mais alto é o de Omã, 86,9 %, e o mais baixo o das Filipinas, 0,2 %.
A tabela contém os dois extremos desse intervalo. A África do Sul apresenta a taxa de desemprego mais alta das dezassete, 32,3 %, e a proporção de longa duração mais alta, 76,2 %, enquanto a Itália está nos 50,3 % com uma taxa de 6,1 %, e os Estados Unidos nos 13,8 % com 4,3 %.
| Economia | Ano | Um ano ou mais, % dos desempregados | Mulheres | Homens | Taxa de desemprego | Posição em 107 |
|---|---|---|---|---|---|---|
| África do Sul | 2024 | 76,2% | 79,0% | 73,5% | 32,3% | 7 |
| Itália | 2025 | 50,3% | 50,1% | 50,5% | 6,1% | 25 |
| Portugal | 2025 | 36,8% | 36,6% | 37,1% | 6,0% | 40 |
| Indonésia | 2023 | 34,2% | 33,1% | 34,8% | 3,4% | 44 |
| Espanha | 2025 | 32,1% | 34,0% | 30,0% | 10,5% | 48 |
| Brasil | 2025 | 30,2% | 34,8% | 25,0% | 5,8% | 54 |
| Polónia | 2025 | 28,8% | 29,6% | 28,1% | 3,0% | 57 |
| Alemanha | 2025 | 27,9% | 25,2% | 29,9% | 3,8% | 59 |
| Reino Unido | 2025 | 23,5% | 20,0% | 26,3% | 4,9% | 67 |
| França | 2025 | 23,0% | 22,7% | 23,3% | 7,7% | 69 |
| Egito | 2024 | 19,8% | 24,3% | 15,5% | 5,9% | 78 |
| Vietname | 2024 | 19,4% | 21,8% | 17,5% | 1,5% | 80 |
| Estados Unidos | 2025 | 13,8% | 12,7% | 14,7% | 4,3% | 94 |
| Países Baixos | 2025 | 13,7% | 13,3% | 14,0% | 3,8% | 95 |
| México | 2025 | 2,1% | 2,0% | 2,2% | 2,5% | 104 |
| Coreia do Sul | 2025 | 0,5% | 0,4% | 0,5% | 2,8% | 106 |
| Filipinas | 2024 | 0,2% | 0,2% | 0,1% | 2,4% | 107 |
Quantos, e por quanto tempo, são duas perguntas
As duas movem-se juntas apenas fracamente. Nas 107 economias, a proporção de longa duração correlaciona-se em 0,42 com a taxa de desemprego, o que deixa por explicar a maior parte da diferença entre dois países: a Polónia e a Coreia do Sul estão a um quarto de ponto na taxa e a um fator sessenta na proporção.
O rendimento explica ainda menos. A proporção correlaciona-se em menos 0,28 com o rendimento por habitante, com medianas de 43,2 %, 32,0 % e 23,4 % do terço mais pobre ao mais rico. A taxa, essa, não tem um declive claro por rendimento: correlaciona-se em menos 0,16 e as suas medianas são 3,9 %, 5,8 % e 4,9 % nos mesmos três grupos.
Dentro da tabela os dois valores separam-se nos dois sentidos. O Vietname apresenta a taxa de desemprego mais baixa das dezassete, 1,5 %, e mesmo assim 19,4 % dos seus desempregados procuram há um ano ou mais; a França apresenta 7,7 % de desemprego e 23,0 %. O México, com 2,5 % de desemprego, está nos 2,1 %.
O que uma procura curta pode significar
Uma procura termina de duas maneiras, e esta medida só vê uma. Quem deixa de procurar deixa de estar desempregado, porque a contagem exige procura ativa e disponibilidade. Uma proporção baixa de longa duração é compatível com contratações rápidas e, do mesmo modo, com pessoas que abandonam a procura por estudos, trabalho familiar, reforma ou desânimo.
E todas as procuras aqui contadas continuam abertas. A duração é o tempo passado à procura até à semana do inquérito, medido em pessoas que continuavam desempregadas nessa data, pelo que o valor descreve quem espera agora, não quanto dura uma procura terminada. Um mercado onde muitos procuram pouco tempo e desistem pode apresentar uma proporção muito baixa.
O sexo quase não separa as duas linhas. A proporção de longa duração das mulheres excede a dos homens em 63 das 107 economias, e a diferença mediana entre ambas é de 0,8 pontos. Na tabela, o Brasil é a mais larga: 34,8 % para as mulheres contra 25,0 % para os homens.
- O DENOMINADOR SÃO OS DESEMPREGADOS. Nem a população ativa nem a população: é a composição de um grupo, não o seu tamanho. Uma economia pode ter poucos desempregados e quase todos de longa duração, ou muitos desempregados e quase nenhum.
- ESTAR DESEMPREGADO É PROCURAR E ESTAR DISPONÍVEL. A contagem só inclui quem procurou trabalho no período de referência e podia começar. Quem deixa de procurar sai dela: uma procura pode terminar num emprego ou num abandono, e esta medida não distingue os dois casos.
- TODAS AS PROCURAS AQUI CONTADAS CONTINUAM ABERTAS. A duração é o tempo passado à procura até à semana do inquérito, medido em pessoas que continuavam desempregadas nessa data. Não é a duração de uma procura terminada, e dela não se deduz qualquer prazo médio.
Os 28,8 % polacos não dizem, portanto, que procurar emprego na Polónia demore um ano, nem que os 0,5 % sul-coreanos indiquem um mercado mais rápido: dizem que das pessoas contadas como desempregadas na Polónia em 2025, 28,8 em cada cem procuravam há doze meses ou mais, e na Coreia do Sul 0,5 em cada cem.
Uma proporção, um denominador, e uma leitura que esquece quem está a ser contado afirma o que a fonte não diz.
O que os dados estabelecem
- Em 2025, 28,8 % dos desempregados polacos procuravam há doze meses ou mais e 0,5 % dos sul-coreanos, 57.º e 106.º de 107 economias, com taxas de desemprego de 3,0 % e 2,8 %.
- Nas 107, a proporção mediana de longa duração é de 30,2 %, a do Brasil; 25 economias estão acima de 50 % e 9 abaixo de 10 %.
- A proporção de longa duração correlaciona-se em 0,42 com a taxa de desemprego e em menos 0,28 com o rendimento por habitante, com medianas de 43,2 %, 32,0 % e 23,4 % do terço mais pobre ao mais rico; a própria taxa de desemprego correlaciona-se em menos 0,16 com o rendimento.
- A proporção de longa duração das mulheres excede a dos homens em 63 das 107 economias, com uma diferença mediana de 0,8 pontos.
O que não estabelecem
- Que uma proporção baixa indique um melhor mercado de trabalho. Uma procura termina num emprego ou num abandono, e esta medida não distingue os dois.
- Quanto tempo demora uma procura. Todas as procuras aqui contadas estão por terminar: delas não sai qualquer prazo médio ou mediano.
- Nada sobre subsídio de desemprego, a sua duração, programas de formação ou qualquer outra política. Nada disso é medido aqui, e nenhuma causa é nomeada.
- Qualquer tendência. Um ano por economia, com anos e instrumentos diferentes entre elas: nada aqui diz que uma proporção subiu ou desceu.
- Nada sobre as 30 economias excluídas por falta de duração registada, nem sobre a Índia, o Japão e a China, que não reportam qualquer duração.
Método
- Duas medidas, um mesmo inquérito. Fluxos ILOSTAT DF_UNE_TUNE_SEX_AGE_DUR_NB, desemprego por sexo, idade e duração, e DF_UNE_DEAP_SEX_AGE_RT, taxa de desemprego dos 15 anos ou mais, lidos através da API SDMX da OIT a 22 de setembro de 2026 (a data é a marca temporal dos ficheiros descarregados, 20:57 e 21:01). Para cada economia usa-se o último ano de 2019 a 2025, e os efetivos por duração, a taxa e os valores de mulheres e homens vêm do MESMO ano E da mesma fonte reportada. A proporção de longa duração é o número de desempregados com uma duração de doze meses ou mais dividido por todos os desempregados desse ano.
- OS AGREGADOS NÃO SÃO PAÍSES, E UMA DURAÇÃO NÃO REGISTADA NÃO É UMA DURAÇÃO CURTA. Regiões e grupos de rendimento foram retirados mantendo apenas os códigos da lista de países do Banco Mundial. Quando um inquérito deixa a duração por classificar, a proporção ficaria diluída por uma falha do questionário e não por procuras breves: por isso são excluídas 30 economias com mais de 5 % por classificar, e as maiores são nomeadas aqui: Paquistão 89 %, Samoa 88 %, Burquina Faso 62 %, Moçambique 44 %, Timor-Leste 35 %, Türkiye 20 %, Tailândia 7 %. A Índia, o Japão e a China não reportam qualquer duração. Restam 107 economias: 57 cujo último ano é 2025, 20 com 2024, 7 com 2023, 13 com 2022, 7 com 2021, 1 com 2020 e 2 com 2019.
- OS INSTRUMENTOS DIFEREM. 93 dos 107 valores vêm de um inquérito ao emprego, 7 de um inquérito às receitas e despesas das famílias, 5 de outro inquérito às famílias, 1 de registos administrativos e 1 de estimativas oficiais. Seis têm um sinal de quebra de série, entre eles os Estados Unidos e o Egito; uma quebra importa quando se compara um ano com outro, e nada aqui o faz.
- A mediana de 107 valores é o 54.º, 30,241 %, o do Brasil, apresentado como 30,2 %. 25 economias estão acima de 50 %, 61 acima de 25 %, 9 abaixo de 10 %, 5 abaixo de 5 % e 2 abaixo de 1 %. O valor polaco é 28,841 % e o sul-coreano 0,484 %, um rácio de 59,5 antes de arredondar; as suas taxas de desemprego são 3,018 % e 2,789 %.
- As correlações são coeficientes de Pearson calculados sobre as 107, face à taxa de desemprego e ao logaritmo natural do PIB por habitante em paridade de poder de compra (Banco Mundial NY.GDP.PCAP.PP.CD, último ano). Os terços de rendimento têm 35, 35 e 37 economias: o mais pobre abaixo de 14 300 dólares por habitante, o mais rico acima de 49 800. O valor de cada terço é a mediana dos seus membros. O rendimento por habitante da Polónia é de 54 262 dólares e o da Coreia do Sul de 63 125.
- O arredondamento é feito uma só vez, na apresentação, a partir de valores que a fonte serve com três casas decimais: África do Sul 76,199 %, Itália 50,289 %, Alemanha 27,866 %, Reino Unido 23,462 %, Países Baixos 13,673 %, Filipinas 0,161 %. As proporções femininas e masculinas são calculadas do mesmo modo, a partir dos efetivos do mesmo ano.
Fontes primárias
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